Entre o chão e o horizonte - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
BRASIL - IPUEIRAS (CE) | ANO V | CIDADANIA, CULTURA, COTIDIANO E LAZER | DESDE 9 DE MARÇO DE 2005
Filho de Otacílo Mota e Antônia Peres Mota, Aquiles Peres Mota nasceu em 09 de agosto de 1924 em Ipueiras. Teve como irmãos : Arquimedes, Otacílio, Vicente Possidônio e Antônio Manuel.
Como irmãs : Zuíla, Zélia, Zilda, Zenaide, Zuleide, Zilmar, Maria Estela e Maria de Lourdes.
Desde cedo a política corria de forma clara no seu sangue. Filho de um líder partidário local, Aquiles logo aprendeu as duas faces do poder, e desse aprendizado fez uso na sua vida de forma coerente, honesta e brilhante.
Em Fortaleza, a atuação política de Aquiles Peres Mota, inicia-se na década de 40. Entre os anos de 1945 e 1946 foi líder estudantil, integrando de forma atuante a direção da Casa do Estudante Secundarista (Centro Estudantil Cearense) e em 1950, como filiado da União Democrática Nacional (UDN), foi candidato a deputado estadual pela primeira vez, não sendo eleito, ficou na suplência da bancada da UDN na Assembléia.
Casou-se com Lia Sabóia Peres Mota que lhe deu duas filhas : Zuíla Sabóia Peres Mota e Liliane Sabóia Peres Mota.
Formou-se em advocacia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em l952. Foi Promotor Público em Guaraciaba do Norte, São Benedito e Ipueiras. Deputado Estadual com oito mandatos consecutivos passando pela UDN e a Aliança Renovadora Nacional (Arena), com o fim do bipartidarismo, filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). Foi Primeiro Secretário da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará e seu Presidente no biênio 1983-84 e em 1986-1987.
Enfrentou uma única vez uma disputa majoritária, sendo candidato a vice-governador na chapa encabeçada pelo então vice-governador Adauto Bezerra(PFL). Adauto foi derrotado pelo empresário Tasso Jereissati (PMDB).
Em 1990, Aquiles Peres Mota enfrentou sua última disputa política ao se candidatar como Deputado Estadual, obtendo 12.045 votos, ficando na suplência do PDS na Assembléia.
Sua história como político aqui se encerra, vale lembrar porém a importância política que teve nos antigos governos de Virgílio Távora e Adauto Bezerra, antes e durante o período revolucionário de 1964, onde como político e colaborador soube usar da moderação e influência aos que foram perseguidos.
Como expressão de seu grande caráter e respeito pela política e aos que a ela se dedicam narro o seguinte fato :
Foi o último orador a ocupar a tribuna do Paço Senador Alencar, na antiga sede do Poder Legislativo Estadual. Num gesto de amor e respeito, e de forma simbólica, representando todos quantos tiveram passagem pelo centenário prédio instalado em 1871, comovidamente na despedida beijou a Tribuna, deixando transparecer a emoção em lágrimas.
O ex-senador peemedebista Cid Sabóia de Carvalho considera que Aquiles Peres mota foi "provavelmente o melhor presidente da Assembléia Legislativa do Ceará," destacando com um orgulho incontido que teve a honra de ser seu amigo cuja uma das características marcantes deste grande político ipueirense foi a lealdade.
Aquiles Peres Mota faleceu num domingo às 14:00 vítima de parada cardíaca em Fortaleza. Era 19 de março de 2000. Seu corpo foi velado durante toda a tarde e noite num dos salões da Assembléia Legislativa e sepultado no dia seguinte no cemitério Parque da Paz.. *PC*
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
O poder da caneta! A expressão se repisa na imprensa, na boca de nossos políticos. Mas com o sabor nostálgico dos tempos clientelistas, quando a caneta era arma a distribuir favores como moeda na conquista e sedução de votos. Junto à intelectualidade, a expressão tem outra conotação: a do poder, inerente ao "ofício do escrever", capaz de expressar não-ditos incontidos no sentimento do povo. Decorrente do "poder da caneta", está o "poder de resina" - a capacidade de juntar dispersas hegemonias em cacos: a caneta, enfim, com seu sintático poder de enfrasar insulados poços e poças, recobrando a força e a beleza da "grandiloqüência das cheias" de nossos rios. Os fatos recentes chocaram-nos. Mas, no fundo, são meros vômitos do não mais contido, sinal de notório fim de ciclo, com o rever necessário da história, repondo cacos já rotos. Impetuosidades e descortesias, para alguns. Para outros, imitação de Cristo quando do templo, expulsou vendilhões.... No Ceará, a história nos mostra ganhos em momentos assim. Assim, na União pelo Ceará, que nos legou Virgílio. E nos anos 80, tendo Celso Furtado por ícone, a rejuntar todos num projeto para mudar o Ceará: dos empresários do CIC aos mais à esquerda, com o apoio do próprio VT. Tempo hoje de revisão histórica, de novo pacto, em novo ciclo. Sinto-me cobrado em meu "ofício do escrever". E, nisso, agarro-me aos versos de João Cabral de Melo Neto: "Um galo sozinho não tece uma manhã (...)/ muitos galos que se cruzem (...) para que a manhã, desde uma teia tênue/ vá se tecendo, entre outros galos". De um amigo, chega-me a propósito, a oportuna conclusão, em bem-humorado lapsus linguae: "Precisamos, no Ceará, dessa manhã" "Mas um galego (digo, um galo) não a tece sozinho!" Por um Ceará sob as tintas de um amplo e novo caleidoscópio social! *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Há muito tempo, numa pequena lagoa nas encostas de um monte vivia um sapo.Mas não era um sapo comum, era especial e enquanto os outros sapos cantavam procurando acasalar-se, ele virava os olhos para o céu e contemplava apaixonado a lua.Não havia um dia em que o sapo não pensasse como poderia ser feliz ao lado daquela bolinha de luz que dançava todas as noites entre as nuvens, prateando a floresta, inclusive a sua pequenina lagoa.Quando escurecia, ele virava os olhos para cima procurando o astro.Olhava para um lado, depois para o outro e quando se certificava que estava só, começava a dizer as mais belas poesias que sabia. É claro que quem as ouvisse não entenderia, pois era na língua dos sapos que ele falava. Os outros animais ouviam somente uns sons de coaxar esquisitos.Era tão apaixonado e repetia com tanta freqüência as suas declarações de amor que um dia a lua notou.Primeiro aquele olhar amoroso e depois as belas poesias, pois só a lua era capaz de entender a língua de todos os animais. Então aconteceu que de uma forma que só o sapo soube - ela passou a lhe corresponder.Os outros sapos riam dele, e em toda lagoa ele era motivo de chacota.Queria ficar juntinho dela, mas ele não tinha asas como os pássaros, nem sequer sabia andar, pois sapo só sabe pular.A conselho de um jacaré, passou a pular mais alto do que todos os outros sapos, na esperança de num dos pulos chegar junto da lua.Mas tudo era em vão e ele acabava cansado e cada vez mais desanimado.Um dia, começou uma forte ventania como nunca tinha ocorrido. O vento era tão forte que obrigou todos os animais a se abrigarem em lugares seguros.O vento se transformou num grande tufão, e foi aí que o sapo teve a idéia de se jogar na forte ventania. Talvez assim conseguisse chegar na sua amada lua.No meio do tufão, o sapo rodopiou e foi subindo, subindo, até sumir por completo.Da floresta, então, o sapo desapareceu.Na primeira lua cheia, seus companheiros, cheios de inveja, viram na lua o pequeno sapo a pular alegremente no seio de sua amada. Esta foi a sua recompensa por acreditar que para quem ama nada é impossível. *PC*
Texto publicado originalmente no jornal Diário do Nordeste, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.