BRASIL - IPUEIRAS (CE) | ANO V | CIDADANIA, CULTURA, COTIDIANO E LAZER | DESDE 9 DE MARÇO DE 2005
Sexta-feira, 31 de Março de 2006
Quinta-feira, 30 de Março de 2006
Frase do dia
Graham Greence (1904 - 1991), escritor Inglês.
Quarta-feira, 29 de Março de 2006
Charles Miller: duas bolas de futebol e um sonho na mala - Por Carlos Moreira / Ipueiras

Aos 20 anos, Charles Miller, filho de um escocês com uma inglesa, retornava da Inglaterra onde havia estudado e aprendido também a ser um exímio centroavante, com passagem pelo Southampton Football Club. Apaixonado pelo esporte, além das bolas oficiais trouxe também uma bomba para enchê-las, um livro de regras e dois jogos de uniformes. Com isso, acabou personificando a figura do introdutor do futebol do Brasil.
Charles Miller faleceu no dia 30 de junho de 1953, há 52 anos, mas seu legado ainda impressiona pela dimensão que o esporte atingiu no Brasil.
Nascido em um país e educado no outro, ele nunca pertenceu a nenhum dos dois.
O que muitos desconhecem é que Charles Miller também foi um grande jogador. Aliás, ele estava presente na primeira partida de futebol realizada no Brasil, em 1895, na Várzea do Carmo em São Paulo, entre São Paulo Railway e Companhia de Gás, vencida pelo primeiro time por 4 a 2.
Charles Miller foi um excelente jogador, e certamente teria se tornado um jogador profissional. Entretanto, ele acreditava apaixonadamente que o profissionalismo iria destruir o futebol.
Charles não gostava de um sistema em que as pessoas fossem pagas para jogar, e tinha a crença que você deveria atuar por amor e não por dinheiro.
A maior parte das pessoas na Inglaterra não sabe nada a respeito de Charles Miller, e não têm idéia da sua ligação com o futebol no Brasil. Para um país pentacampeão mundial de futebol, não é fácil imaginar o que aconteceria se aquele jovem de 20 anos não tivesse retornado ao Brasil. Hoje, mais de 100 anos e cinco estrelas no peito depois, nossa trajetória não permite pensar em uma história diferente. *PC*
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Segunda-feira, 27 de Março de 2006
A porquinha de estimação - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Naquele dia lá pras bandas das Barreiras o céu amanhecera cinzento.
Para seu Chico, a coisa estava preta.
Morador do seu Expedito, homem de confiança, há muitos anos morando naquelas terras.
E agora ?
Sempre deu conta do recado, mas por essa não esperava. O jeito era contar para o patrão o sucedido.
Encheu-se de coragem.
Montou seu cavalo e partiu para a cidade. Lá chegando tratou de relatar o que lhe afligia :
Patrão, o caso é o seguinte, não vá se aperrear. Sua porca de estimação, sumiu sem rastro deixar. Já fazem três noites e três dias que eu procuro sem achar.
Seu Expedito ficou chateado, com aquela situação.
Muitas vezes aquela porquinha salvava a situação, quando vendia suas crias, tinha dinheiro na mão.
Andou um tempo aborrecido, e sem voltar as Barreiras. Depois pensando bem, achou que aquilo era besteira.
Conformado com a situação, pegou seu patuá, espingarda, cartucheira e rumou pras suas terras.
Tava tudo tão verde, tão bonito ... e ele ficou por um instante parado admirando a paisagem.
De repente, uma grande mancha amarela chamou sua atenção.
Chegou mais perto, e parecia um jerimum gigante. Mas não podia ser pois um imenso buraco negro tomava conta de um dos lados do suposto jerimum.
Por via das dúvidas, chegou mais perto.
Era um jerimum gigante, sim.
E o buraco negro ?
Não foi tão corajoso. O buraco parecia se mexer.
Achou por bem ir a casa de seu Chico e pedir ajuda.
Voltou ele, seu Chico, carregando uma vara grande de bambu.
De longe cutucaram o buraco, e pasmem ! De lá saiu a porquinha e, onze porquinhos, que desfilavam graciosamente atrás da mãe.
Não preciso falar, do tamanho da alegria do seu Chico e do seu Expedito. Diante do achado inusitado.*PC*
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
Sábado, 25 de Março de 2006
A pracinha do interior - Por Bérgson Frota / Fortaleza
Um dos monumentos públicos mais marcante e menos incomum no final da década de 60 e início da década de 70 era o televisor público, construído geralmente ao lado de uma praça ou mesmo no centro desta.
Prefeitos apressavam-se para trazer à sua cidade essa novidade tecnológica.
Em Ipueiras, no ano de 1969, foi inaugurado com grande festa o televisor público Idálio Frota. No caso não foi preciso construir uma praça para o monumento, aproveitou-se uma já existente diante da matriz da cidade e ao lado construíram bancos de cimento sobre degraus, além da pracinha, numa construção adequada para o tamanho foi posto o televisor.
No morro do Cristo instalaram uma antena que captava e distribuía o sinal da TV Ceará que transmitia a programação da Rede Tupi para a sede do município e arredores.
Naquela época a televisão era uma raridade e logo foi preciso a intervenção da guarda municipal para conter a multidão que se aglomerava para admirar aquela caixa brilhante na qual se podiam ver pessoas falando e se movendo.
Este foi o primeiro evento televisivo em massa ocorrido na cidade somente superado em número no ano seguinte quando da transmissão da Copa do Mundo no México.
O tempo passou e com uma rapidez nunca imaginada chegamos à época das antenas parabólicas, no entanto muita coisa pareceu não mudar.
O que mais impressiona hoje é que com a acessibilidade deste meio de comunicação às classes menos favorecidas e toda uma tecnologia já posta a disposição graças as antenas parabólicas municipais e particulares ainda se pode encontrar em pequenas cidades do interior o televisor público em pleno funcionamento.
No que tange aos grandes municípios na sua totalidade nada restou do antigo monumento tão festejado em tempos pretéritos.
Atualmente em Ipueiras ainda se pode ver o local aonde ficava o televisor público que como outras obras inauguradas nas últimas décadas do século XX encontra-se abandonado como se esperando silenciosamente a sentença do tempo.*PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.
Sexta-feira, 24 de Março de 2006
Quinta-feira, 23 de Março de 2006
Frase do dia
Henrique Fontana (RS), líder do PT na Câmara
Quarta-feira, 22 de Março de 2006
Esperança de nova fase - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Terça-feira, 21 de Março de 2006
A Lenda de São Gonçalo da serra dos cocos - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro
Uma família estava fugindo da seca e passou na serra dos cocos.
Traz um filho pequeno. A fome era tanta que para não ver o filho morrer seguiu viagem, deixando-o debaixo de uma palmeira.
Uma mulher foi catar cocos e encontrou o menino. De inicio, pensou que ele estava morto. Furou-lhe o braço com um espinho e saiu sangue.
Viu que ele estava vivo e que era um santo. Chamou-o São Gonçalinho e levou-o para casa e guardou num quarto.
Quando o marido chegou, à noitinha, a mulher foi mostrar lhe o santo mas não o encontrou. No dia seguinte, foram ao local, onde fora encontrado e lá estava. Levaram-no para casa, de novo. Trancaram num baú. Mesmo assim ele saiu e voltou para o seu lugar. Isto se deu por varias vezes.
Então, o pessoal resolveu fazer uma capela pra ele. Depois de pronta colocou-o no altar. Mas ele não ficou, voltou para as palmeiras. Decidiram, enfim, botar duas palmeirinhas, de um lado e do outro do altar, aí ele ficou. O pessoal ficou chamando São Gonçalinho da serra dos cocos. *PC*
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
Domingo, 19 de Março de 2006
Frase do dia
Geddel Vieira Lima (PMDB-BA).
Sábado, 18 de Março de 2006
Dona Guidinha do Poço - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.
Sexta-feira, 17 de Março de 2006
Quinta-feira, 16 de Março de 2006
Frase do dia
Lula, presidente da República.
Quarta-feira, 15 de Março de 2006
Sistema de Educação Superior - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Terça-feira, 14 de Março de 2006
Frase do dia
Roberto Damatta, antropólogo.
Segunda-feira, 13 de Março de 2006
Apostando na vida - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Às vezes eu me aborreço,
às vezes me entristeço.
Noutras tantas sou infeliz,
porém vou tocando a vida,
curtindo a ânsia atrevida,
de apostar no porvir.
Não quero olhar a vida,
apenas por uma janela.
Não quero viver suspirando,
feito eternas donzelas.
Se viver é correr risco,
encaro sem medo a mazela.
Eu quero o gozo da vida,
quero abrir feridas.
Sangrar se preciso for,
quero o choro da partida,
de cada paixão colhida,
que ardeu e se apagou.
Só não quero viver a apatia,
de uma vida sem magia,
de quem se desencantou.
Atrás das cores da vida,
sou primavera florida,
que o tempo não desbotou.*PC*
Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.
Domingo, 12 de Março de 2006
Frase do dia
Cézar Schirmer (PMDB-RS)
Sábado, 11 de Março de 2006
História da Igreja Matriz de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza
O primeiro templo católico a ser construído na região que hoje é a cidade de Ipueiras foi erguido no início do século XVIII.
Tudo começou em 1722, quando deu-se o encontro do frei carmelita José da Madre de Deus com o então Capitão-mor José de Araújo Chaves. O religioso chegou na região com ordem para escolher o local do novo templo, o Capitão-mor José de Araújo Chaves era potentado daquela região e proprietário de vastas sesmarias da Boa Vista, na Serra dos Cocos, e da Ipueira Grande no sertão.
Com muito entusiasmo e sendo um homem devoto o Capitão propôs ao frei a construção de duas capelas, sendo uma sobre a serra e outra no sertão, para tal finalidade doou os terrenos e coube ao próprio escolher os oragos (padroeiros) : São Gonçalo e Nossa Senhora da Conceição.
São Gonçalo na Serra dos Cocos seria uma homenagem ao Conselho de Amarante, vila portuguesa de onde provinham os Martins Chaves e no sertão Nossa Senhora da Conceição em homenagem a Portugal, que a tinha como padroeira.
A capela de Ipueiras foi concluída em 1745, precisamente em 4 de julho do ano citado. A benção foi dada pelo Pe. Pedro da Costa que batizou no mesmo dia Manoel Martins Chaves, filho do construtor da capela.
Com o falecimento do Capitão-mor José de Araújo Chaves em 1787 Ipueiras permaneceu como uma fazenda possuidora de capela. Somente em 1883 através da Lei Provincial no. 2.037 é que foi instituída a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, tendo por limite o Distrito de Paz de Ipueiras e o de São Gonçalo, com isto era extinto a antiga Freguesia de São Gonçalo da Serra dos Cocos, reduzida a simples capela da paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
Canonicamente a paróquia foi instituída em 21 de abril de 1884 por provisão do segundo Bispo de Fortaleza Dom Joaquim José Vieira. Logo em 16 de maio do mesmo ano foi nomeado como primeiro vigário o Pe. João Dantas Ferreira Lima que tomou posse no dia 16 de julho do ano citado.
Guardava a paróquia uma antiga estátua de madeira da Virgem da Conceição em estilo barroco que estava posta no altar desde o século XVIII, sendo esta a imagem levada na procissão que se realizava e realiza ainda hoje no dia 8 de dezembro, porém antes que findasse o século XIX de forma misteriosa a imagem sumiu.
Tal perda levou os paroquianos encomendarem da Alemanha nos primeiros anos do século XX uma estátua de Nossa Senhora da Conceição porém ocorreu um erro na remessa pois Nova Russas, que na época era um pequeno distrito de Ipueiras e tinha como padroeira Nossa Senhora das Graças fora também beneficiada neste mesmo pedido com uma estátua menor para sua capela, os encarregados na Alemanha não distinguindo qual das cidades era a mais importante, enviaram para Nova Russas uma grande estátua de Nossa Senhora das Graça e uma pequena estátua de Nossa Senhora da Conceição para Ipueiras.
Entrando no século XX a igreja matriz de Ipueiras era pequena, em termos mais realistas guardava ela o tamanho de uma simples capela, só então que no final dos anos 30 é que foi construída uma torre de estilo gótico fugindo um pouco das características barrocas originais de sua planta, para o alto da torre foi transferido o sino.
Entre os anos de 1956 e 1957 começou a construção na parte detrás da Igreja de um plano maior que abrigaria o novo altar, este foi concluído em 1958 e é onde hoje se situa o altar da Igreja.
A Igreja Matriz de Ipueiras foi portanto no século XX alterada três vezes, na primeira acrescentou-se uma torre (final da década de 30), no fim da década de 50 foi feita na parte detrás um alargamento cuja altura superou a da torre e finalmente em meados da década de 70 transferiu-se o altar para a parte mais nova e alta da Nave. *PC*
Sexta-feira, 10 de Março de 2006
Quinta-feira, 9 de Março de 2006
Frase do dia
Demóstenes Torres (PFL-GO), membro das CPIs dos Correios e dos Bingos.
Quarta-feira, 8 de Março de 2006
Mulher - Por Carlos Moreira / Ipueiras
Em todo Ceará, mulheres de diversas origens, classe, idade e identidade sexual organizam-se em torno do dia 08 de março. Em Crateús, elas promovem debates e fazem uma caminhada pelas ruas da cidade. No Crato, ocupam a Praça da Sé com manifestações culturais e discussões temáticas.
Em Fortaleza, sentam juntas para conversar com a comunidade na Barra do Ceará, Messejana, Conjunto Palmeira, Conjunto São Miguel.
A violência está na pauta da maioria dos eventos organizados para o Dia Internacional da Mulher. As estatísticas mostram o porquê. De acordo com a ONU, 25% das brasileiras são vítimas constantes de violência no lar e em apenas 2% dos casos, o agressor é punido.
No Ceará, 118 mulheres foram assassinadas em 2005, segundo dados do Fórum Cearense de Mulheres. Em algumas regiões, como no cariri, os índices de mulheres assassinadas e os relatos são alarmantes.
O governo do Estado se mantem omisso diante do quadro, não respeitando sequer a Constituição Federal no que diz respeito a construção de aparelhamento das delegacias de mulheres.
A questão da violência é grave é apenas um dos itens da luta. Ainda há muito o que conquistar. Melhor atenção, na categoria da saúde. Espaço nas esferas públicas de poder, na categoria política. Maior possibilidade de ascensão na carreira e salários iguais, na categoria mercado de trabalho.
O caminho é difícil, mas já começou a ser trilhado, e vem avançando. Isso também deve ser lembrado hoje, dia 08 de março.
A persistência e a crescente articulação do movimento de mulheres têm conquistado avanços em relação à igualdade de gênero.
Os avanços ainda não contemplam mulheres pobres, negras e índias, que continuam excluídas de seus direitos.
Precisamos acreditar que é possível construir um mundo onde mulheres e homens se articulem e interajam na diversidade, tendo a liberdade, a justiça, a paz e a solidariedade como valores humanos. *PC*
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Terça-feira, 7 de Março de 2006
Segunda-feira, 6 de Março de 2006
Iracema: 140 anos - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza
Em nossa "história real", a pecuária marcou-nos, de masculino, o chão cearense: Na amplidão da caatinga, a rês. Atrás dela, o vaqueiro. Entre os dois, apenas a mística e a solidão. Mas foi Alencar que nos legou a "história imaginada" dos subterrâneos de nosso inconsciente coletivo: Iracema, "a porção feminina da alma nacional", a nos abrir sinuosas e sedutoras sendas, nas pegadas da serpente e de Eva, rumo ao solidário. Iracema saída dos banhos: das sombras, dos ventos, do sol. O "aljôfar d'água" (das chuvas, lagoas, cascatas, rios e mares) a rorejar-lhe o corpo, salpicado de verde: o dos "mares bravios", da relva e da selva, da alma cearense.
História de amor, sim, entre Iracema e o guerreiro branco! Mais que isso, o decantar da hospitalidade alencarina. Autêntico tour por "onde canta a jandaia", as "alvas praias", serras, sertões, a rica toponímia, rituais, culinária e cultura, a ter por guia "o pé grácil e nu" de Iracema. Aí, a sugestão de novos conceitos, mapeamento e roteiro para o turismo, ora caído no vil dueto de "gringos e prostitutas"!
Iracema, 140 anos! Justo quando o Ceará se repensa em seus caminhos, de sintaxe e perenização do verde e das águas. Tudo para que "Moacir, o filho da dor" aqui finque morada. O romance conclui-se: "O primeiro cearense ainda no berço emigrava da terra da pátria. Havia aí a predestinação de uma raça?" Persiste a reflexão! *PC*
Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Domingo, 5 de Março de 2006
Frase do dia
"Bons tempos aqueles em que os piores erros do Lula eram os de português".
Raimundo Nonato.
Sexta-feira, 3 de Março de 2006
Quinta-feira, 2 de Março de 2006
O Carnaval de Ipueiras - Por Bérgson Frota / Fortaleza
Ipueiras sempre se destacou entre as cidades da zona norte do Estado, ao pé da Ibiapaba, como uma cidade carnavalesca desde as décadas de 30 e 40 do século passado, e manteve esta tradição fortalecendo-se a medida que a cidade crescia chegando ao seu apogeu no século XX precisamente na década de 80.
Foram nos anos oitenta que se viu surgir pela primeira vez na sede do município blocos. Fenômeno que repetiu-se em diversos anos seguidos sempre no carnaval, criando uma rivalidade sadia e competindo animadamente entre si.
Entre os mais destacados estavam : Mama na Égua, Tosse Braba, Olha nós Aí, Abababados e o Sisigura.
Os cinco blocos citados já não mais existem, mas deixaram uma grata lembrança dos últimos carnavais do século passado em Ipueiras. Sendo que alguns dos que deles fizeram parte já se foram, e outros já não moram mais no município.
Competiam todos juntos em desfiles pelas ruas e à noite no clube da cidade.
O bloco Mama na Égua tinha como principal destaque o porta-bandeira já falecido Moacir Fontenele, figura que para os ipueirenses era a alma do carnaval da cidade, fazendo parte dele outro grande carnavalesco de muito valor José Gerardo, o Dadá.
As vestimentas eram de seda com cores diversas e bem desenhadas. Cada bloco tinha seus trajes típicos e concorriam no clube da cidade pelo troféu de bloco vencedor.
Com o passar dos tempos os blocos deram lugar ao carnaval de pequenos grupos e é este o que prevalece atualmente na cidade tendo como característica o rápido deslocamento que fazem de uma festa para outra. Já que o carnaval em Ipueiras não se realiza mais em um só salão.
Outra característica inovadora é que muitos ipueirenses se deslocam para o carnaval de cidades vizinhas não se restringindo somente ao do município.
O tempo passou mas o carnaval de Ipueiras continua sendo uma festa para seus habitantes, antes só restrito aos clubes e à cidade, agora não só na cidade mas levando grupos que animam e enriquecem o carnaval das cidades irmãs. *PC*
Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.
Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha - Fortaleza.

















