Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Charge da semana


Regi - Amazonas em Tempo

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Desconfiança - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Vejo olhos atentos pelo espelho transparente, concentrados num sinal.

Primeiro o silêncio, uma parada e a porta abre-se para depois fechar-se rapidamente.

Quero espaço, passo a procurar e finalmente encontro um a satisfazer-me.

O silêncio quebra-se quando sou interrogado :

--- Para onde ? É a pergunta.

Fico quieto por segundos que parecem sacos de minutos, caixas de horas, mas finalmente cedo e respondo.

Ofendido pela pergunta facilmente a parecer intrusa, digo por ter que revelar, e pela desconfiança que penso ser mútua.

A janela troca de paisagens, e questiono-me pela obrigação que tive, tenho e sempre terei de responder àquela pergunta.

Gotas d’água descem ziguezagueando meu rosto enquanto lá fora a chuva cai fortemente.

Aos poucos vou secando pelo ar frio que invade o ambiente e sendo balançado por buracos e mais buracos a preencherem a trilha.

No painel em frente vejo então números que se sucedem sempre num crescente valor.

Grita-me novamente a idéia da resposta e da desconfiança, o silêncio é quebrado pelos sons de motores a funcionar e pingos de chuva, baixos mais audíveis.

Olho em volta, pela janela a paisagem me é familiar.

A porta abre-se novamente, e saio.

Tiro do bolso uma nota e pago. Rápido abro o guarda-chuva pronto a desconfiadamente atravessar uma rua que mais parece um rio.

Longe avisto o táxi que me trouxe a distanciar-se cuidadosamente.

Publicado no jornal O Povo, de Fortaleza em 04.07.2009

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Homenagem ao Rei do Pop - Michael Jackson


Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Excelente idéia - Por Lúcio Albuquerque - Rondônia

Políticos obrigados a matricular seus filhos em escolas públicas.

Pode ser que, assim, os políticos, que tanto falam em educação, em investimentos na educação, em respeito ao professor, decidam realmente cumpriro que apregoam sempre que há eleição à vista.

O projeto de lei é do senador Cristõvão Buarque, e já se encontra tramitando no Senado.

Agora, falando francamente, você acha que o Senador vai aprovar?Mas, até que pode: basta que cada um de nós comecemos a pressionar senadores e deputados, fazendo com que vire uma onda e, aí, a pressão acabe aprovando a lei.

O duro, no entanto, vai ser cumprir a dita cuja.

Inté mais ver!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Charge da semana


Ique - Jornal do Brasil (RJ)

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O Doutor do Cordel - Por Dalinha Catunda - Rio de Janeiro


A cidade maravilhosa, acolhedora como sempre, recebeu no sábado passado, 20 de junho, a figura interessantíssima, do médico cearense Sávio Pinheiro.

Dr. Sávio presta um grande serviço a população cearense, orientando seus pacientes através da literatura de cordel. E assim, vai deixando a medicina mais popular e bem mais perto do povão.

O intuito Maior desta viagem foi seu ingresso na ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel que recebeu de braços aberto o médico cordelista.

Grande parte do quadro acadêmico da ABLC compareceu ao evento, entre as figuras de peso do cordel, quero destacar a presença do acadêmico Klévisson Viana, poeta, cartunista e editor, que abriu a solenidade reforçando a importância do Ceará no Cordel

Além da posse do Dr. Sávio Pinheiro, que hoje ocupa a cadeira 35 e tem como patrono, Manoel Pereira Sobrinho, teremos até o final do Ano a posse de José Maria de Fortaleza, Guaipuan Vieira, e do baiano Bule-Bule.

Eu como cordelista fico feliz em fazer parte do rol de cearenses que atuam no cordel e de certa forma levam o nome do Ceará além dos seus limites.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

A História do Palacete do Plácido - Por Bérgson Frota / Fortaleza


No início do século XX, Plácido de Carvalho era um bem sucedido comerciante e industrial em Fortaleza, isso nas duas primeiras décadas do século até a metade da década de trinta.

Em 1916, viajando pela Europa veio a conhecer em Paris, Maria Pierina Rossi, uma italiana de Milão, que apesar de apaixonada recusava-se a vir morar no Brasil. Ele porém, também muito apaixonado, prometeu construir para ela em Fortaleza, uma cópia de um belo palácio que ambos viram em Veneza. Com a promessa, ela concordou, chegando a Fortaleza no ano seguinte.

Logo começaram os preparativos para a obra.

Para construção o bairro escolhido foi o Outeiro, já conhecido como Aldeota. Quanto ao construtor, há dúvidas, muitos apontam o feito ao irmão de Pierina, Natali Rossi, este sim foi o arquiteto do Excelsior Hotel. Mas o Palácio do Plácido foi certamente obra do Sr. João Sabóia Barbosa, artista plástico e excelente engenheiro eletricista diplomado em Liverpool, Inglaterra.

O palácio foi erguido entre as ruas Carlos Vasconcelos e Monsenhor Bruno, tendo como cruzamento das duas a Av. Santos Dumont. Foram usados mármores e vitrais importados, bem como raras madeiras brasileiras. Exibindo estilo rico e eclético, a decoração encantava e chamava atenção. Era cercado de jardins com roseiras e plantas nativas, e possuía duas bem trabalhadas fontes.

Depois de dois anos de meticulosos esforços a obra finalmente foi inaugurada em 1921.
Em torno do Palácio do Plácido como passou a chamar-se ou para os mais excêntricos Palacete Plácido de Carvalho, foram construídos pequenos chalés, a servirem de moradia aos serviçais da imponente construção.

Após a morte do esposo, em 1934, Pierina que já morava desde 1933 no Excelsior Hotel, casou-se com o arquiteto húngaro Emílio Hinko, amigo de Plácido, que a pedido dela desenhou e construiu em 1938, em torno do palácio seis palacetes, para que servissem de aluguel. Todos ainda existentes.

O palácio então foi alugado, e lá passou a funcionar o Serviço de Malária, departamento federal que equivale a Sucam.

Em 1957 morre Maria Pierina, e na década seguinte Zaíra, filha e única herdeira, vende o palácio a um grupo comercial local, que no início dos anos 70 faz a demolição do mesmo para a construção de um supermercado, no entanto o terreno ficou abandonado. Em decorrência de dívidas para com o Poder Público, fez-se a quitação da mesma passando o terreno para o Governo do Estado que lá construiu e hoje está o Centro de Artesanato Luíza Távora.

Quanto ao Palácio do Plácido, este ficou no passado, num velho postal e em gasta e antigas fotos, também na lembrança dos que um dia o viram ou nele entraram, contemplando a beleza de sua torre, de suas janelas e belas escadas a quase dobrar-se, dos seus jardins e suas fontes. Um pedaço do passado agora transferido para livros ou fotos raras. A cumprida promessa de um homem apaixonado que o tempo impiedosamente levou.

Publicado no jornal O Povo, de Fortaleza em 27.06.2009

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Frase do dia

"Tem senador que acobertou esse corrupto [Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado] e deve ter usufruído da corrupção promovida por ele."

Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Foto do dia


Foto: Carlos Moreira

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Responsabilidade Social na Fiec - Por Marcondes Rosa de Sousa / Fortaleza

Brasília, final do século XX. Uma reunião me marcou.

Em discussão, as múltiplas inteligências: a verbal, a matemática, a espacial, as psicomotoras em suas angulações intra e interpessoais, a surgir nos mais hodiernos aspectos da transcendência...
Um todo, numa caminhada da vida e do mundo, por via de esperados ensaios e erros.

Um deles, curioso e grotesco, marcou-me nessa citada reunião em Brasília: sentado a meu lado, um colega professor universitário dava-se conta de possuir toda a cadeia de inteligências destacada...

Absorto, meu olhar, no entanto, recaia sobre a feição mais construtiva: a de uma educação com ângulos dialéticos num jogo de busca a integrar-se num todo mais amplo, num universo articulado e social.

Nisso, me chaga em visita Marcília Chagas Barreto, a me falar de convite por ela aceito, na atual administração da Uece: o de, sob a coordenação do professor Jackson Sampaio, coordenar a pesquisa e a pós-graduação na área da educação, nestas perspectivas por mim sonhadas.

Olhos no horizonte e no chão, a civitas e o mundo, o agora e o amanhã num jogo dialético: o sonho antigo da velha Roma a recompor a urbis et orbis, a tensão universal/regional, na seguinte pauta: a) estender esse caminho possível à Uece; b) dar feição formal além de real a presença das instituições de educação superior como “indústrias sem chaminés” (ou indústria cultural) em amplo programa em todo estado e rede municipal do Ceará, desde Jorge Parente que ali as empossou até os sonhos daqueles que a buscam construí-la.

É a nossa esperança!

Marcondes Rosa de Sousa é professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade Estadual do Ceará (UECE).

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Terça-feira, 23 de Junho de 2009

São João na Roça - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


As fogueira ta chegando,
Eu to me preparando,
Pro mode dançar mas tu.

Vai ser um desmantelo
Nós dois naquele terreiro,
Na base do anarriê.
Na base do anavantu.

Já comprei teu chapéu de palha,
Tu camisa estampada.
Tua calça tá remendada,
Como manda a tradição.

Encomendei um corte de chita,
Dois laço encarnado de fita,
Quero ser a matuta mais bonita,
Nessa festa de São João.

Vai ser grande a alegria,
Nós dois dançando quadria,
Junto com nossa famia,
Que num arreda pé do sertão.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Frase do dia

"Tudo o que o presidente vem fazendo, e por isso eu apoio seu governo, eu faria. A diferença é apenas na questão de como fazer, no estilo."

Senador Fernando Collor (PTB-AL), a respeito do governo Lula

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Menores - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia

Quando eu era garoto, era comum na entrada de eventos artísticos, o Juizado de Menores estar presente, inclusive na porta de cinemas.

Garoto nas ruas à noite era querer ir parar no Juizado.

Hoje, o que mais se vê é menor andando pelas ruas a qualquer hora.

E o Juizado (eu espero estar errado, mas tenho dúvidas) só aparece em shows e festas públicas (nada contra).

Minha pergunta é: por que não fazem como antigamente?

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Frase do dia

"Antes de pensar em fazer uma CPI da Petrobras, o Senado deveria se preocupar em arrumar a própria casa. "

Do secretário de Justiça da Bahia, Nelson Pelegrino (PT)

Domingo, 14 de Junho de 2009

Santo Antonio ou São Gonçalo - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro


Meu querido Santo Antônio,

Vou lhe dar outra oportunidade

De me arranjar um marido.

E estou falando a verdade!

Ou vou apelar a outro Santo,

Que me faça essa caridade.


Há tempos que lhe recorro,

Sem ver nenhum resultado.

Pelo jeito o senhor anda

Desatento ou bem relaxado.

Quem sabe com tantos pedidos,

Foi deixando o meu de lado.


Acho que o senhor é mesmo,

Um santinho do pau ôco.

Eu peço, suplico, imploro

E o senhor de mim faz pouco.

Não atende o meu pedido

E eu continuo neste sufoco.


Só que agora eu descobri,

Que você tem concorrente.

Um santo casamenteiro,

Que é bem menos exigente,

Que se chama São Gonçalo,

E é muito mais eficiente.


Dizem que ele anda casando

Mulher de qualquer maneira:

Casa donzela e as desquitada,

As viúvas e até mãe solteira,

As que já passaram da idade,

E as que perderam as estribeiras.


Por isto, meu Santo Antônio,

O senhor preste muita atenção:

Me arrume um bom casamento,

Ou mudo mesmo de devoção.

Vou atrás é de São Gonçalo

Já cansei dessa embromação


Não há solteira que agüente,

Essa sua fatigante lentidão

São Gonçalo desempenha,

Muito melhor essa função,

E além de não ser exigente

É mais rápido na solução.


Sei que o Santo é só um detalhe.

O que importa é o matrimônio.

Me arranjo com São Gonçalo,

Se vacilar meu Santo Antonio

Para gastar vela com os dois,

Não economizo patrimônio.


Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará

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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Charge da semana


Jorge Braga - O Popular (GO)

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

A Saga dos Arigós - Por Bérgson Frota / Fortaleza

Entre os anos de 1942 a 1945, no Ceará a seca continuava a fazer emigrantes que sem opção para sobreviver abandonavam seu torrão natal, muitos em sua maioria para sempre.

Os sertanejos cearenses sofriam a fome nutrindo a esperança de um favorável inverno, ou eram atraídos para o sonho de ‘enriquecimento” fácil na Amazônia, uma outra frente de batalha que se dava longe dos palcos sangrentos da Europa denominado de Guerra da Borracha

Calcula-se que em todo Nordeste 55 mil pessoas foram para a Amazônia, metade vindo a falecer devido aos precários meios de transporte, falta de assistência médica, alimentação escassa e finalmente lutas na grande floresta dos seringais.

O Serviço de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA) ,fazia forte campanha publicitária. A Amazônia era o “paraíso” para o homem nordestino, seu destino e triunfo na sagrada missão nacional de engrandecimento da Pátria.

A borracha traria para os aliados a vitória frente ao nazi-facismo que ameaçava o mundo.

No SEMTA, depois de superficial exame médico, o trabalhador recebia um chapéu, alpargatas, blusa branca e calça azul, uma caneca, um talher, um prato, rede e cigarros, com salário de meio dólar por dia. Logo eram embarcados para a Amazônia.

Passaram a ser chamados de “arigós”, tal apelido vinha da pequena ave de arribação nordestina, que por característica vaga de lagoa a outra buscando alimento.

O número de cearenses que partiram é calculada em 15 mil, que junto aos outros iam em vagões de trem, carroceria de caminhões e na terceira classe de navios. Em sua maioria os arigós levavam toda a família.

Três meses de viagem, com caminhões a virar e navios naufragarem.

A rota seguia de navio em direção ao Maranhão, Belém, Manaus e Rio Branco. Desta última eram divididos para pequenas cidades, concentrando-se portanto em grande número no atual Estado do Acre.

Para os arigós logo o sonho se desmanchava e o “paraíso” esperado começou a ser chamado de “inferno verde”.

O trabalho era duro e a disciplina exigida também. Em dupla trabalhavam os seringueiros enfrentando além da chuva constante as moléstias como a malária, febre-amarela, beribéri, a completar o quadro dantesco, onças, jacaré e cobras gigantes estavam sempre a espreita dos incautos.

O trabalho arrastava-se de 4 horas da manhã às 7 da noite. Era uma escravidão não oficializada. Outro meio nefasto que contribuía ainda mais para esfacelar as esperanças dos arigós era o tão odiado “sistema de aviamento”, onde comida, roupas, ferramenta e remédios eram vendidos a preços exorbitantes sendo estas lojas de provimentos mantidas pelos próprios patrões.

Numa caderneta o empregado do patrão anotava os débitos dos funcionários, trabalhando de forma minunciosa a fazer com que o empregado solicitante nunca saldasse o devido, cobrando até cinco vezes mais o valor da mercadoria. Enquanto que o valor da produção individual dos mesmos sempre vinha em inferioridade ao débito feito.

Terminada a II Grande Guerra, os americanos já obtinha borracha do oriente e não tardou inventarem a borracha sintética.

Os arigós foram abandonados a própria sorte e destes um número mínimo voltou para casa.

Assim encerrou-se na época “A Batalha da Borracha”, dos quase 60 mil soldados desta “guerra” na verde Amazônia, metade, em proporção quase 30 mil pessoas deixaram seus sonhos e últimos alentos de vida nas úmidas e sempre verdes terras do Norte.

Texto publicado originalmente no jornal O Povo, de Fortaleza.

Bérgson Frota é professor visitante da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e professor de Grego Clássico no Seminário da Prainha

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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Frase do dia

"Terceiro mandato é golpismo. É algo que afronta os preceitos constitucionais. O terceiro mandato é, na prática, declarar que a democracia brasileira é frágil, porque um dos princípios mais importantes da ordem democrática é a alternância do poder"

Armando Monteiro Neto, presidente da Confederação Nacional da Indústria

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Abandono - Por Lúcio Albuquerque / Rondônia

O patrimônio público em Porto Velho é relegado, sempre, a último plano – e não a segundo, como é comum se dizer. Sábado à tarde um grupo de historiadores e pesquisadores, dentre os quais os professores Abnael Machado de Lima e Antonio Cândido, visitou o lixaral em que se transformou o Cemitério da Candelária.

Para quem não sabe, aquele cemitério, construído para abrigar os corpos dos construtores da ferrovia Madeira-Mamoré e, a seguir, usado para sepultar pessoas diversas entre 1910 e 1920, e que seria hoje um patrimônio histórico, localizado no km 2,5 da ferrovia, o local está abandonado.

Na frente, duas placas, uma com frase com que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional cita fazer uma homenagem aos que construíram a ferrovia. A outra, menor, atrás, cita que ali foi realizada obra no valor de 84 mil reais.

A obra citada, bem recente, é, na realidade, uma calçada com cimento que está se dissolvendo. O trajeto não tem um objetivo e a largura da dita calçada não permite duas pessoas caminharem lado a lado. E a citada acabou prejudicando os próprios moradores da região, já que os construtores das duas placas colocaram pedras imensas impedindo a manobra de veículos em frente.

Mas o Cemitério da Candelária, que ganhou até livro pelo médico e escritor Viriato Moura, não é caso isolado do desprezo com que o patrimônio público é considerado em Porto Velho. Nem vou comentar a Madeira-Mamoré. As obras de reforma se arrastam tanto que já se pensa em fazer festa de aniversário de algumas delas, como a do mercado central, a do Canal dos Tanques ou a da praça Rondon.

Um fato que chama atenção é não se saber quem está servindo de consultor quando fazem essas obras. Pelo que tenho escutado, ninguém que conheça a história local está sendo ouvido, e espero, francamente, estar errado nessa afirmação, mas é o que escuto.

É só andar pela avenida Sete de Setembro que se tem idéia do abandono a que a cultura vem sendo relegada. Em uma parcela considerável das cidades brasileiras, e em todas as capitais, a recomposição do patrimônio arquitetônico dos prédios é projeto definido e em fase de aplicação. Aqui, é só ver o que cada comerciante faz na fachada de qualquer loja na Sete de Setembro, desvirtuando o original e, com o beneplácito do Poder Público, sepultando a cultura e a História.

Nesse ponto, entidades como a Academia de Letras, o Instituto Histórico e Geográfico, o Conselho Regional de cito do Poder Pna fachada de qualquer loja na Sete de Setembrosiçanques oua da praça Rondon.ado de Lima e Antonio CEngenharia, a Imprensa, a Unir (através de seu curso de História), para citar apenas algumas, estão sendo omissas.

Num município aonde temos uma Fundação Cultural, uma secretaria municipal ligada à cultura, uma secretaria municipal da Educação, não seria demais esperar que, pelo menos, esses órgãos estejam mais presentes à questão da História.

Mas, pelo visto, isso é o que não acontece.

Inté outro dia, se Deus quiser!

José Lúcio Cavalcante de Albuquerque. Ex-editor dos jornais Tribuna, Alto Madeira, e com passagens em outras publicações como o Estadão do Norte, Lúcio Albuquerque, egresso da imprensa amazonense, tem projeção nacional, desde a década de 80, quando foi correspondente do Estadão de São Paulo.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Por falta de convicção - Por Dalinha Catunda / Rio de Janeiro

Essa é mais uma de minhas proezas adolescentes.

Eu morava no interior e nesse tempo ainda não possuía um vocabulário abrangente. Mas a pouca idade e o pouco estudo permitiam-me o pouco saber.

Eu nunca me encantei com os meninos de minha idade. Achava-os bobos, inexperientes, sem papo, sem graça e coisa e tal...

Um belo dia aconteceu o inusitado, o que poderia ser meu primeiro namoro, com uma pessoa mais velha, foi deveras minha primeira decepção.

Morava em minha rua uma professora que vira-volta era visitada pelos parentes.

Certa tarde vislumbrei uma visita diferente ocupando uma cadeira na calçada da dita professora.
Era um rapaz bem parecido, bem vestido e para uma quase menina que não tinha ainda parâmetros para comparar, era um príncipe das caatingas, em figura de gente.

Pois bem, eu muito enxerida, comecei a andar pra lá e pra cá na calçada. Ainda recordo quando uma amiga gritou:

-Vai afundar a calçada!

Não demorou muito o belo exemplar abordou-me. Conversa vai... Conversa vem... Ele perguntou se eu gostaria de namorá-lo.

Eu radiante e rapidamente respondi que sim. Até aí, ia tudo muito bem! Eu me sentia nas alturas.

Foi quando ele fez na seqüência mais uma indagação:

-Você tem Convicção?

E eu assustada respondi:- Não menino tu é doido?

Agora me pergunte o que eu imaginei, naquela hora, que fosse convicção?

-Você sabe? Nem eu!

O que sei é que por falta de convicção, perdi o que seria meu primeiro namorado mais velho do que eu.

Dalinha Catunda é escritora e natural de Ipueiras, Ceará.

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